Para quem prega

Esboços de pregação expositiva

Três salmos, três estruturas que saem do próprio texto. Com o hebraico, o contexto e a decisão exegética que cada um exige antes do púlpito.

O método

Todo material desta série segue a pregação expositiva na tradição reformada. O princípio é fácil de enunciar e exigente de cumprir: o ponto do texto é o ponto do sermão.

Na prática, isso significa que a divisão de cada esboço não foi escolhida — foi encontrada. No Salmo 121, ela acompanha a mudança de pessoa no versículo 3. No Salmo 91, as três trocas de voz. No Salmo 23, o cruzamento entre a mudança de cenário e a de pessoa, que se encontram no vale. Nenhuma divisão foi imposta ao texto.

Cada esboço traz também uma decisão exegética que o pregador precisa tomar antes de subir ao púlpito — um ponto em que as traduções divergem e a escolha muda o sermão. As páginas apresentam as leituras possíveis e o que cada uma implica, sem decidir pelo pregador.

E a leitura de Cristo, quando aparece, se apoia em citação ou em vocabulário do próprio texto — nunca em alegoria por semelhança de imagem. É a diferença entre tipologia e associação livre.

A série

Três esboços

121Salmo 121 — O Senhor é o teu Guardador

Estrutura. O salmo muda de pessoa no versículo 3: os dois primeiros falam em primeira pessoa, e do terceiro em diante alguém responde. Muitos leem como diálogo litúrgico.

Decisão exegética. Os montes do versículo 1 são fonte de socorro ou falsa esperança? A escolha define se o versículo 2 confirma ou corrige o versículo 1.

Leitura redentiva. A Septuaginta traduz shamar por phylássō, verbo que Jesus usa em João 17:12 ao dizer que guardou os que lhe foram dados.

Ver o esboço completo do Salmo 121 →

91Salmo 91 — À sombra do Onipotente

Estrutura. Três vozes: descrição nos versículos 1 e 2, discurso em segunda pessoa até o 13, e Deus falando em primeira pessoa do 14 ao 16 — oito verbos em três versículos.

Decisão exegética. Quem fala no versículo 2? O hebraico traz omar, primeira pessoa. A NVI segue; a ARA lê como continuação do versículo 1.

Leitura redentiva. Mateus 4:6 traz os versículos 11 e 12 na boca do tentador. É o critério de leitura do salmo inteiro: promessa de confiança, não cláusula a ser testada.

Ver o esboço completo do Salmo 91 →

23Salmo 23 — O Senhor é o meu pastor

Estrutura. Duas mudanças que se cruzam: de cenário, do campo para a mesa; e de pessoa, exatamente ao entrar no vale. Não é no pasto que a fala vira conversa — é no escuro.

Decisão exegética. Tsalmavet: sombra da morte, como lê a ARA, ou densas trevas, como lê a NVI? A escolha define se o sermão trata de morte ou de aflição em geral.

Leitura redentiva. Cadeia de três elos: o salmo confessa, Ezequiel 34 promete “eu mesmo apascentarei”, João 10 cumpre com “eu sou o bom pastor”.

Ver o esboço completo do Salmo 23 →

Um limite declarado

O que você não vai encontrar

Não há aplicação, ilustração nem apelo em nenhuma destas páginas. A ausência é deliberada.

Estrutura, hebraico, contexto e referências cruzadas são trabalho de estudo, e podem ser feitos por quem não conhece a sua igreja. Aplicação não. Ela depende de saber quem está sentado ali, o que aquela comunidade está atravessando e o que precisa ouvir nesta semana — e nada disso cabe num material genérico.

Material que entrega sermão pronto entrega, junto, a ilusão de que essa ponte pode ser terceirizada. Ela não pode. O que estas páginas fazem é economizar o seu tempo no que é pesquisa, para sobrar tempo no que é pastoral.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O que é pregação expositiva?

É a pregação em que a estrutura do sermão nasce da estrutura do texto, e não de um tema escolhido antes. O ponto da passagem passa a ser o ponto do sermão. Na prática, isso significa deixar o texto decidir a divisão, a ênfase e até o que não será dito — em vez de usar a passagem como ponto de partida para falar de outra coisa.

Qual a diferença entre pregação expositiva e temática?

A temática escolhe um assunto e reúne textos que o sustentem; a expositiva escolhe um texto e deixa que ele determine o assunto. Nenhuma das duas é ilegítima, mas elas respondem a perguntas diferentes. Estes esboços são todos expositivos: a divisão de cada um acompanha uma virada que está no próprio salmo — mudança de pessoa, de cenário ou de voz.

Estes esboços trazem a aplicação pronta?

Não, e é de propósito. Você encontra estrutura, análise do texto, hebraico, contexto histórico e referências cruzadas. A aplicação, as ilustrações e o apelo ficam de fora porque dependem de conhecer a congregação — e isso nenhum material pronto entrega. O trabalho de ponte entre o texto e as pessoas é do pregador.

Posso usar estes esboços na minha igreja?

Pode, à vontade e sem pedir permissão — em culto, grupo pequeno, escola bíblica ou estudo pessoal. Cada página tem um botão que copia o esboço em texto puro, pronto para colar no seu caderno de preparação. Se citar a fonte, agradecemos.

Por que cada esboço tem uma seção de decisão exegética?

Porque os três salmos têm um ponto em que as traduções divergem, e a escolha muda o sermão. Deixar isso implícito é entregar ao pregador uma decisão que ele nem percebeu que tomou. Cada página apresenta as leituras possíveis, o que cada uma implica, e não decide pelo pregador.

Antes do esboço

O texto completo

Cada esboço supõe a leitura do salmo. As páginas de estudo trazem o texto em traduções comparadas, com o hebraico de cada imagem.

Retrato de Marcos Araujo Percico

Sobre o autor

Marcos Araujo Percico

Fundador e editor do Salmos 121. Estuda as Escrituras há mais de uma década, com apoio do Logos Bible Software e consulta aos idiomas originais (hebraico e grego). Tradução de referência: ARA.

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